Nem retorno de Edmundo consegue apagar escrita contra o Flamengo

Publicada em 18/02/2008 às 09h01m - O Globo Online

RIO - Uma sina incômoda que já acompanha o Vasco há mais de uma década: quando o time voltará a vencer o Flamengo em uma partida decisiva? A reestréia de Edmundo, com sua fama de carrasco rubro-negro, deu à torcida vascaína a esperança de que poderia ser neste domingo. Mas, que ironia, o camisa 10 deixou o Maracanã como o símbolo de mais uma eliminação diante do rival, graças ao pênalti perdido no início do segundo tempo.
Logo Edmundo, que já marcou 14 vezes contra o Flamengo levando a cruz de malta no peito. Três desses gols entraram para a história do Vasco, na goleada por 4 a 1 pela fase semifinal do Campeonato Brasileiro de 1997, que garantiu ao time de São Januário a vaga na decisão, no ano do tricampeonato nacional do clube. Hoje, 11 anos depois, a lembrança tem um quê de amargura. Aquela foi a última vez que os vascaínos deixaram o Maracanã saboreando a eliminação dos rubro-negros de uma competição.
Para recordar um título ganho sobre o rival, a memória vascaína terá de ir mais longe, até o bicampeonato estadual de 1987-88, ambos conquistados em decisões contra o Flamengo. Depois disso, a turma da Gávea riu por último todas as vezes que encontrou o Vasco nas horas decisivas. Já são 20 anos sem vitória em finais.
Hoje a torcida já se dá ao luxo de rir antes: o famoso bordão 'Vice de novo', criado no tricampeonato rubro-negro de 1999-2000-2001, todos em finais contra o Vasco, foi adaptado na semifinal deste domingo para 'Vice pra sempre'. E cantado antes do jogo!
A confiança dos flamenguistas se baseia na longa escrita, que inclui cinco títulos seguidos em cima do Vasco. A sina começou em 1999, quando o Vasco ostentava o favoritismo de campeão da Libertadores, e acabou surpreendido pelo gol de Rodrigo Mendes, que garantiu o 1 a 0 no segundo jogo decisivo do Estadual (o primeiro terminou 1 a 1).
No ano seguinte, o Flamengo devolveu em duas prestações nos jogos finais do Estadual - 3 a 0 e 2 a 1 - a goleada de 5 a 1 que valeu ao Vasco a Taça Guanabara - naquela época, o primeiro turno era jogado em pontos corridos e, eventualmente, os dois rivais se encontravam na última rodada num clássico com cara de decisão. Aliás, essa é outra 'escrita' que incomoda o Vasco: ganhar do Flamengo quando o jogo 'só' vale três pontos, para depois perder na hora H.

Oblíqua Paixão

Me guarda
Venha até mim
Leve comigo um pouco de nós

Te cuida
Tenho por ti
Deixo contigo muito de nós

O ardor, a paixão
Se for, lhe entrego
Caia em si!
Seja consigo tudo de nós

Então, não nos afastemos...
Carreguemos conosco
estreita relação
Construiremos assim, oblíqua paixão


JP Anzanello.

OPINIÃO PÚBLICA


Opinião pública é uma expressão frequentemente utilizada tanto pelos homens políticos como pelos jornalistas, mas a sua realidade é problemática, e os seus contornos imprecisos e fluidos. Distingue-se tanto das opiniões individuais ou grupais como da vontade popular.
A opinião pública distingue-se claramente das opiniões dos indivíduos e dos grupos pelo fato de o seu emprego possuir uma vida própria, independente daquilo que pensa e quer cada um dos cidadãos, de se lhes impor e de não implicar a mesma adesão nem igual força mobilizadora. Ao contrário das opiniões individuais, que podem levar os indivíduos a tomar partido e a deixarem-se envolver afetivamente, a opinião pública não implica qualquer espécie de adesão nem impõe qualquer espécie de envolvimento pessoal. Distingue-se da vontade popular pelo fato de a sua fonte não residir no entendimento constante e duradouro do povo em torno de objetivos comuns, nem se mani­festar com o mesmo grau de intensidade e permanência. A vontade popular vincula o conjunto dos cidadãos que a tomam como referência. A opinião pública não mobiliza nem se impõe com caráter de obrigatoriedade, é objeto de discussão e pode até sobreviver ao distanciamento de uma parte significativa da população. Por isso, é mais fácil defini-la negativamente, pelo que ela não é, do que positivamente. Apresenta, no entanto, duas características principais: o anonimato e a natureza estatística da sua manifestação.
É o anonimato da opinião pública que faz com que os indivíduos nem sempre se reconheçam nela e que a toma suscetível de ser utilizada como dispositivo de legitimação. É por isso uma espécie de corpo sem rosto. Porque não é propriamente de ninguém, pode impor-se a todos com a força do bom senso e do senso comum.

Prof. Adriano Duarte Rodrigues

O dono do mundo

Quero falar de alguém
não um alguém ninguém
ou um profeta do além

Quero falar dele
sem citar esse ou aquele
Aí sim, vou falar de alguém.

Quero falar de onde veio
Daqui, dali? Não creio.
Não é de Belém, nem diz amém.

Quero falar tanta coisa
mas nem nome sei pôr
Quero falar do dono do mundo,
o mais puro e sincero amor.


JP Anzanello.

Meu jogo inesquecível - Relato de um tricampeonato


Era o mês de março de 2001, a data precisa não me recordo agora, mas os dias seguintes, jamais serão apagados da minha memória...
Campeonato estadual do Rio de Janeiro, partida decisiva da final entre o meu Mengão e os arqui-rivais vascaínos... Tinha tudo para ser mais uma decisão eletrizante. Nós, rubro-negros, queríamos e esperávamos muito a vitória, mas o 2x1 vascaíno no primeiro jogo, nos dava a impressão de que, desta vez, não seria possível colocarmos mais uma estrela de um tricampeonato no nosso manto sagrado. O Vasco jogava por dois resultados iguais e, com isso, precisávamos fazer 2 gols de diferença pra garantirmos a taça...
Corre o segundo tempo, nervos a flor da pele, os vascaínos vibram com a diminuição no placar: 2x1 para nós e resultado insuficiente. Corre o tempo, mas não com tanta pressa né! Maracanã lotado, reservas todas empenhadas em faixas e cerveja, festa pronta, mas nada do grito salvador se desprender da garganta. 43 minutos, falta muito pouco, a esperança é sempre a última que morre, mas devido à dureza da disputa, era a primeira a ser assassinada em meu peito. Falta "cavada" sobre o atacante Roma, na intermediária do nosso gol, "de frente pro crime", Petkovic. O gringo estava afiadíssimo nas cobranças de falta naquele Estadual...
Tudo ou nada, expectativa transbordando o anel da arquibancada rubro-negra. Mal dava pra respirar de tão cheio onde eu estava. Respirei fundo, fechei os olhos, virei de costas; não quis ver, a emoção era muito forte! Pet ajeita, barreira colocada, juiz apita... Pet corre, a bola passa e não resisto, me viro... Gente, que cobrança foi aquela, nunca vi tamanha perfeição e sofrida meticulosidade geométrica em ver aquela bola entrar na minha frente, em tão pequeno espaço! Foi o espaço certo, justo, para a explosão completa do tri ecoar pelo Maraca! Que gol sofrido, que título suado, que jogo inesquecível...

João Paulo Anzanello (texto produzido para o Lancenet – Diário Lance!, ao link Leitores Interativos)
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