Educação! Educação! Educação!


Este é o clamor que vem de todos os lados numa hora em que vemos adolescentes e mesmo crianças cometerem crimes bárbaros mostrando total ausência de senso moral.
Sim, podemos concordar, educação! Mas em que consiste a educação? Limita-se ela à simples instrução, ao aprendizado de conteúdos como os da história, da geografia e da matemática? Ou será ainda preciso juntar o conhecimento do inglês e da informática? Será que se reduz à profissionalização? Todo aquele que domina uma técnica, que tem uma habilitação profissional, pode ser considerado como educado? É possível aceitarmos a simples qualificação intelectual como critério para distinção do educado?
Ao que parece, a resposta é negativa. Os crimes, na sua maioria, são praticados por alfabetizados. Alguns chegam a ter um nível de escolaridade mais adiantado. Muitos são suficientemente alimentados e gozam de boa saúde. Há ainda os que, se não têm uma família bem constituída, pelo menos mantêm laços familiares com mãe, pai, avós ou outros parentes.
Estamos aqui nos limitando a analisar a delinqüência infantil e adolescente mas, se chegarmos aos adultos, veremos a criminalidade ocorrer entre universitários, entre membros da chamada classe média, entre os "bem nascidos" como é o caso do conhecido crime do "colarinho branco".
Por outro lado, é patente a honestidade e o senso moral encontrado, com grande freqüência, entre os excluídos sociais que vivem em regiões de seca, de extrema pobreza, morando em barracos de taipa, passando fome, sem escola ou assistência médica, completamente abandonados pelo governo e pela sociedade. Nesse grupo social não se encontra, com a mesma intensidade, a violência e a agressividade que poderia ser esperada e de certo modo, compreensível.
Não pretendemos aqui defender a manutenção da pobreza e do analfabetismo, apenas não aceitamos a teoria que justifica a violência pela injustiça social. Não, a nosso ver, as causas são outras. O pobre, o excluído, o socialmente abandonado não é necessariamente nem freqüentemente criminoso. Não queremos também fechar as escolas nem considerá-las como responsáveis por todo o mal de nossos dias. Visamos somente mostrar que instrução e profissionalização, embora procedimentos louváveis e necessários, não se confundem com educação.
A instrução propõe-se a levar o estudante a adquirir conhecimentos, a ser capaz de analisá-los criticamente para poder utilizá-los em suas necessidades.
A profissionalização visa habilitar o indivíduo a praticar uma profissão por ter apreendido os conhecimentos e as técnicas necessárias ao seu exercício.
A educação ocorre noutra instância. Ocorre na instância moral. Consiste na busca, na apreensão e na hierarquização dos valores de modo próprio e adequado ao aprimoramento da humanidade do homem. É apreendida e incorporada não propriamente pelo aprendizado intelectual, mas pelas vivências éticas.
Chega-se então a que o clamor pela educação não pode restringir-se apenas à exigência de escola como se ela, por si mesma, significasse educação. É preciso uma escola que não somente instrua e profissionalize mas que, especialmente, eduque.
A escola que educa propõe a reflexão sobre questões morais e ainda propicia a experiência de situações éticas. Constitui-se num local próprio para o exercício da moralidade, da cidadania fundamentados nos valores do respeito pela pessoa do outro e da justiça como o que leva cada um a dar ao outro o que lhe é devido.
Na falta das disciplinas "Ética", "Civismo", "Problemas Brasileiros" ou outras similares nos currículos escolares, essa reflexão é feita pelo "Ensino Religioso" quando há, que, ampliando o seu conteúdo, vai além dos seus dogmas e das suas doutrinas, promovendo a reflexão sobre o fenômeno humano.
Também a Filosofia procura cumprir esse papel, embora seu ensino seja limitado a algumas séries do Ensino Médio.
Resta ainda o papel educativo da mídia, que começa agora a tomar conhecimento com mais profundidade da sua imensa responsabilidade nessa área.
Por todas essas considerações juntamos nossas vozes ao grito geral: Educação! Educação! Educação! Que não se reduz à escola! Escola! Escola! Mas à necessidade de uma escola que eduque por promover a reflexão sobre a exigência do respeito e da justiça na convivência humana.
Vera Rudge Werneck, diretora do Colégio Padre Antonio Vieira
JB Online, 23/03/2007

PAN RIO 2007, A FAVOR OU CONTRA?


Mais do que apontarmos falhas de preparação, projetos mal feitos, estouros no orçamento e atrasos nas obras, temos que exaltar a presença do maior evento esportivo das Américas, sendo realizado na cidade do Rio de Janeiro pela primeira vez em sua história.

Temos sim, que cobrar e fiscalizar os gastos públicos com essa gigantesca estrutura esportiva que vem sendo montada. Mas, mais do que isso, temos que agradecer e comemorar todos os feitos e legados esportivos, seja com construções, arenas, incentivos ou projetos para o esporte olímpico, que serão deixadas para o povo brasileiro e, principalmente, para o povo carioca.

Projetos que não saíram do papel, dinheiro previsto que não foi suficiente, projetos públicos realizados sem licitação, tudo isso importa. Importa e muito! Mas não podemos nos abater pela falta de estrutura e planejamento adequados para a organização de um evento esportivo deste porte, apresentadas por nossas autoridades “competentes”. Temos sim, que erguer os braços – sem que para isso incentivemos a greve dos funcionários envolvidos nas obras do Pan! – e louvar todas as melhorias que serão deixadas para a nossa cidade, todos os equipamentos, quadras, centros e praças esportivas que serão aproveitadas pelo poder público, em prol do esporte.

A chance de incentivarmos um número cada vez maior de jovens a praticarem o esporte, saírem das ruas e não se envolverem em más companhias – onde é possível vislumbrar um futuro e perseguir alguns sonhos através do suor e do esforço físico – é muito mais importante e comovente, do que nos atentarmos “apenas” às falhas administrativas e fiscais e aos erros de projeto. Promover a integração do ser humano, da sociedade e do meio ambiente, através de um projeto interdisciplinar esportivo como esse, tem como função, o objetivo de formar cidadãos capazes de influenciar na melhoria da qualidade de vida.

Exaltemos, pois, a realização destes Jogos Pan-Americanos na cidade do Rio de Janeiro neste ano de 2007, como uma vitória da democracia esportiva, um marco na história do esporte nacional e o início de vários sonhos para uma geração de jovens e futuros atletas carentes de apoio.

João Paulo Anzanello - MARÇO 2007
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