Vai Maria

Espia Maria
risca o mal com sua grafia
despe o mundo de agonia
e toma essa vida vadia.

Inspira Maria
enche o peito de alegria
põe na mesa a poesia
com seu sorriso de bom dia.

Desafia Maria
lança tua alma à fantasia
encontre sempre uma solução
ainda que tardia.

Faço minhas as palavras da Ruth

Meu nome foi incluído no manifesto de intelectuais em seu apoio. Eu não a apóio. Incluir meu nome naquele manifesto é um desaforo! Mesmo que a apoiasse, não fui consultada. Seria um desaforo da mesma forma. Os mais distraídos dirão que, na correria de uma campanha… “acontece“. Acontece mas não pode acontecer. Na verdade esse tipo de descuido revela duas coisas: falta de educação e a porção autoritária cada vez mais visível no PT. Um grupo dominante dentro do partido que quer vencer a qualquer custo e por qualquer meio.

Acho que todos sabem do que estou falando.

O PT surgiu com o bom sonho de dar voz aos trabalhadores mas embriagou-se com os vapores do poder. O partido dos princípios tornou-se o partido do pragmatismo total. Essa transformação teve um “abrakadabra” na miserável história do mensalão. Na época o máximo que saiu dos lábios desmoralizados de suas lideranças foi um débil “os outros também fazem…”. De lá pra cá foi um Deus nos acuda!

Pena. O PT ainda não entendeu o seu papel na redemocratização brasileira. Desde a retomada da democracia no meio da década de 80 o Brasil vem melhorando; mesmo governos contestados como os de Sarney e Collor (estes, sim, apóiam a sua candidatura) trouxeram contribuições para a reconstrução nacional após o desastre da ditadura.

Com o Plano Cruzado, Sarney tentou desatar o nó de uma inflação que parecia não ter fim. Não deu certo mas os erros do Plano Cruzado ensinaram os planos posteriores cujos erros ensinaram os formuladores do Plano Real.

É incrível mas até Collor ajudou. A abertura da economia brasileira, mesmo que atabalhoada, colocou na sala de visitas uma questão geralmente (mal) tratada na cozinha.

O enigmático Itamar, vice de Collor, escreveu seu nome na história econômica ao presidir o início do Plano Real. Foi sucedido por FHC, o presidente que preparou o país para a vida democrática. FHC errou aqui e ali. Mas acertou de monte. Implantou o Real, desmontou os escombros dos bancos estaduais falidos, criou formas de controle social como a lei de responsabilidade fiscal, socializou a oferta de escola para as crianças. Queira o presidente Lula ou não, foi com FHC que o mundo começou a perceber uma transformação no Brasil.

E veio Lula. Seu maior acerto contrariou a descrença da academia aos planos populistas. Lula transformou os planos distributivistas do governo FHC no retumbante Bolsa Família. Os resultados foram evidentes. Apesar de seu populismo descarado, o fato é que uma camada enorme da população foi trazida a um patamar mínimo de vida.

Não me cabem considerações próprias a estudiosos em geral, jornalistas, economistas ou cientistas políticos. Meu discurso é outro: é a democracia que permite a transformação do país. A dinâmica democrática favorece a mudança das prioridades. Todos os indicadores sociais melhoraram com a democracia. Não foi o Lula quem fez. Votando, denunciando e cobrando foi a sociedade brasileira, usando as ferramentas da democracia, quem está empurrando o país para a frente. O PT tem a ver com isso. O PSDB também tem assim como todos os cidadãos brasileiros. Mas não foi o PT quem fez, nem Lula, muito menos a Dilma. Foi a democracia. Foram os presidentes desta fase da vida brasileira. Cada um com seus méritos e deméritos. Hoje eu penso como deva ser tratada a nossa democracia. Pensei em três pontos principais.

1) desprezo ao culto à personalidade;

2) promoção da rotação do poder; nossos partidos tendem ao fisiologismo. O PT então…

3) escolher quem entenda ser a educação a maior prioridade nacional.

Por falar em educação. Por favor, risque meu nome de seu caderno. Meu voto não vai para Dilma.

SP, 25/10/2010

Ruth Rocha, escritora

Reflexões

Brrrrr. Ufa, depois de um longo e tenebroso inverno virtual, espanto a webteia e eis que surge um novo post no meu quase falecido blog. O que 140 caracteres não fazem... Vamos aos fatos:

1. O Peixe foi campeão. Com folgas. Dos demais grandes de SP. Porque na final, em minha opinião, o Santo André foi superior no confronto e, salvo o gol mal anulado pela bandeirinha-que-não-usa-óculos-escuros, a zebra passearia livremente pelo Pacaembu. É o melhor time em atividade no futebol brasileiro neste primeiro semestre, com certeza. Mereceu o título pela campanha, e seria muita injustiça revivermos aqueles velhos clichês mal assombrados de 82, de “que o futebol-arte é muito bonito, mas não ganha títulos”.

2. E o Ronaldo, hein? Patético. Nem de longe lembra o implacável atacante, maior artilheiro de Copas do Mundo. Quarta-feira foi triste. Eu estava lá no dilúvio do Maraca e tive até pena! Juro. O cara encalhou. Literalmente.

3. Sério agora. Noves fora teorias da conspiração, a troco de quê essa perseguição implacável da imprensa (principalmente a carioca) em cima do Adriano? Cara, ele é desequilibrado e precisa de ajuda? Lógico que sim. O cara rende notícia? Rende. A imprensa tem que cobrir os fatos? Tem. Mas daí a ficarem enchendo o saco pela não convocação do cara já é demais! Porra, os caras se esquecem de tudo que ele já fez na carreira? Adriano tem histórico na seleção, tem gols, títulos. Foi campeão brasileiro com o Flamengo, sendo artilheiro do maior campeonato do mundo. Se esqueceram de tudo que ele fez em 2005? Copa América , Copa das Confederações...

4. Sabidamente, o voto contrário da Patrícia Amorim no Fábio Koff gerou retaliações claras ao Flamengo por parte da CBF/Globo. Agora, perseguirem os atletas acho um pouco demais, né não? Vem cá: por que a imprensa não questiona o Dunga pela convocação de energúmenos como Josué e Gilberto Silva, tanto quanto ela questiona a convocação do Adriano?

5. Neymar? Ganso? Leva os dois, porra! E o Adriano também! Uma coisa não exclui a outra. É perfeitamente possível levar os três e barrar cabeças-de-bagre nessa seleção. Aliás, o meio campo tá cheio delas! Por que não levar o Marcelo (Real Madri) como único lateral esquerdo? Já que o Daniel Alves é polivalente e o Maicon é titular absoluto na direta, abre-se mais uma vaga no ataque. Leva o Neymar e leva o Adriano também, não dá pra abrir mão de um tanque como o Adriano na Copa, a experiência dele comprova isso.

Voltei. Ou não. Ou pelo menos até a próxima opinião superar os viciantes 140 caracteres...

Não é o fim da assessoria de imprensa, pelo contrário

01 de setembro de 2009

O conteúdo gerado pelo usuário e as redes sociais não vão tornar o assessor de imprensa uma figura obsoleta - desde que ele se ligue e comece a olhar para webanalytics e business intelligence.


Por Stivy Malty Soares

O futuro incerto frente ao presente pseudo-caótico da comunicação tem deixado jornalistas e assessores de imprensa de cabelos em pé. Qual o futuro dos “press releasers” e das agências de assessoria, agora que informação é gerada em tempo real também pelo próprio mercado?

Bloggers, diretores de empresas e o próprio público têm ou não capacidade para seguir com a mesma qualidade de serviços? Isso tem importância para o leitor?

É fato que o volume de informações geradas informalmente hoje supera muito o volume formalmente desenvolvido pelos profissionais da comunicação. O que se discute não é a qualidade com a qual essa nova informação é apresentada, mas o fato de que ela acontece em tempo real e parece suprir a necessidade de consumo do público.

Como diz uma das máximas do mercado, o ótimo é inimigo do bom. E o bom supre a demanda.

Os blogs, as mídias sociais e até o próprio e-mail podem transmitir a informação de forma muito rápida e imparcial - e isto é o que o público procura, diferente da mensagem perfeitamente formatada, que cria a aura de produção e sugere uma imagem de falsidade e direcionamento de interesses.

O público demonstra que a mensagem realmente consumida é a que circula nos meios informais. Jornais, revistas e a própria TV continuam importantes e servem para que o público confirme aquilo que já foi lido durante o dia, na web.

Em rodas de jornalistas, o comentário é o de que os diplomas podem ser jogados no lixo e que estudaram tanto para nada. Mas calma, não é bem assim!

Não é o fim da assessoria de imprensa e do jornalismo formal. O fim da reserva de mercado já ocorreu em várias profissões e faz parte da evolução das espécies. Quem evolui junto ao mercado sobrevive; quem bate o pé na areia movediça se enterra cada vez mais. Nas rodas é fácil identificar quem tende a se reciclar e quem resiste e vai ficar para trás.

Metas para os objetivos da comunicação

Por conta das novas necessidades de organização da informação e do direcionamento de conteúdo pertinente e aderente a cada perfil de consumidor, técnicas e ferramentas de database marketing, business intelligence, webanalytics e de marketing direto têm auxiliado as agências de comunicação a se reinventarem através da chamada “Comunicação Multidirecional”.

Crie indicadores

As técnicas de BI e de estatística ajudam a criar e a gerir novos indicadores importantes e que realmente interessam ao mercado, não mais resultados irrelevantes.

As técnicas de database marketing ajudam a definir o público alvo para cada tipo de informação, com base em seu perfil e interesses, sempre com foco nos objetivos da comunicação.

  • O que foi entregue e o que foi de fato consumido?
  • Que tipo de cliente responde melhor a cada método de comunicação?
  • Que tipo de cliente responde melhor a cada meio de comunicação?
  • Como melhorar os resultados e o índice de interesse do público?

Métricas

As técnicas de webanalytics auxiliam a medir os resultados de cada mídia online. Associadas às técnicas de Web Intelligence, formam uma base tecnológica perfeita para as agências entrarem com segurança no meio digital. Além disso, já existem ferramentas que ajudam a medir os resultados de imagem através de mídias sociais.

  • O que estão dizendo sobre minha empresa?
  • É positivo ou negativo?
  • Esse conteúdo informal tem afetado o valor de minha empresa? E as vendas?
  • Como reverter comentários negativos e amplificar os positivos?

Conteúdo para diferentes canais

O marketing estratégico e o marketing direto auxiliam as assessorias de imprensa a formatar a comunicação de modo a ser interpretada e consumida por cada tipo de público, de forma coerente e através de canais pertinentes.

  • Que tipo de informação deve circular em blogs, Twitter e em redes sociais?
  • Que tipo de informação deve ser divulgada através de e-mail marketing aos clientes?
  • Que tipo de informação deve apenas gerar conteúdo para ser indexado em sites de buscas e ficar disponível para quem pesquisar?
  • O que deve ir para jornais, revistas e para a TV? Como e com que tipo de linguagem?

Com tudo isso, a “comunicação multidirecional” é uma das soluções mais rápidas e de resultados mais expressivos para que as assessorias de imprensa recuperem o fôlego, não apenas da geração de conteúdo, mas principalmente pela distribuição e medição de resultados. Comunicação sem métricas já não faz mais sentido, assim como a exposição de conteúdo de forma aleatória. Quem conseguir associar todas essas técnicas de comunicação, está com um bom futuro garantido. É isso que o público deseja, mesmo sem ter consciência.

Ser Flamengo

Ser Flamengo é ser humano e ser inteiro e forte na capacidade de querer. É ter certezas, vontade, garra e disposição. É paixão com alegria, alma com fome de gol e vontade com definição. É ser forte como o que é rubro e negro como o que é total. Forte e total, crescer em luta, peleja, ânimo, e decisão.

Ser Flamengo é deixar a tristeza para depois da batalha e nela entrar por inteiro, alma de herói, cabeça de gênio militar e coração incendiado de guerreiro. É pronunciar com emoção as palavras flama, gana, garra, sou mais eu, ardor, vou, vida, sangue, seiva, agora, encarar, no peito, fé, vontade. Insolação.

Ser Flamengo é morder com vigor o pão da melhor paixão; é respirar fundo e não temer; é ter coração em compasso de multidão.

Ser Flamengo é ousar, é contrariar norma, é enfrentar todas as formas de poder com arte, criatividade e malemolência. É saber o momento da contramão, de pular o muro, de driblar o otário e de ser forte por ficar do lado do mais fraco. É poder tanto quanto querer. É querer tanto como saber; é enfrentar trovões ou hinos de amor com o olhar firme da convicção.

Ser Flamengo é enganar o guarda, é roubar o beijo. É bailar sempre para distrair o poder e dobrar a injustiça. É ir em frente onde os outros param, é derrubar barreiras onde os prudentes medram, é jamais se arrepender, exceto do que não faz. É comungar a humildade com o rei interno de cada um.

É crer, é ser, é vibrar. É vencer. É correr para; jamais correr de. É seiva, é salva; é vastidão. É frente, é franco, é forte, é furacão. É flor que quebra o muro, mão que faz o trabalho, povo que faz país.

(Artur da Távola)
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