DOZE CONSELHOS PARA TER UM INFARTO FELIZ

Quando publiquei estes conselhos "amigos-da-onça" em meu site, recebi uma enxurrada de e-mails, até mesmo do exterior, dizendo que isto lhes serviu de alerta, pois muitos estavam adotando esse tipo de vida, inconscientemente. A ver:
1. Cuide de seu trabalho antes de tudo. As necessidades pessoais e familiares são secundárias;
2. Trabalhe aos sábados o dia inteiro e, se puder, também aos domingos;
3. Se não puder permanecer no escritório à noite, leve trabalho para casa e trabalhe até tarde;
4. Ao invés de dizer não, diga sempre sim a tudo que lhe solicitarem;
5. Procure fazer parte de todas as comissões, comitês, diretorias, conselhos e aceite todos os convites para conferências, seminários, encontros, reuniões, simpósios, etc.;
6. Não se dê ao luxo de um café da manhã ou uma refeição tranquila. Pelo contrário, coma o mais rápido possível pra não perder tempo e aproveite o horário das refeições para fechar negócios ou fazer reuniões importantes;
7. Não perca tempo fazendo ginástica, nadando, pescando, jogando bola ou tênis. Afinal, tempo é dinheiro;
8. Nunca tire férias, você não precisa disso! Lembre-se que você é de ferro;
9. Centralize todo o trabalho em você mesmo, controle e examine tudo para ver se nada está errado. Delegar é pura bobagem, é tudo com você mesmo;
10. Se sentir que está perdendo o ritmo, o fôlego, e pintar aquela dor de estômago, tome logo estimulantes, energéticos e anti-ácidos. Eles vão te deixar tinindo;
11. Se tiver dificuldades em dormir, não perca tempo: tome calmantes e sedativos de todos os tipos. Eles agem rápido e são baratos;
12. E por último, o mais importante: não se permita ter momentos de oração, meditação, audição de uma boa música e reflexão sobre sua vida. Isto é para crédulos e tolos sensíveis. Repita para si: eu não perco tempo com bobagens!
por Dr. Ernesto Artur, cardiologista.

LIBERDADE, DEIXE AS ASAS ABERTAS SOBRE NÓS!


Criativa, bonita, responsável, premiada, alto astral, inteligente, livre, moderna, inspiradora... Foi assim, com liberdade para criar, que a publicidade brasileira se tornou conhecida no mundo inteiro. Agora, querem cortar as suas asas, como se ela fosse a culpada por tudo de ruim que acontece.
Há no momento mais de duzentas propostas no Congresso Nacional e outras em estudo na ANVISA para restringir a propaganda de bebidas, remédios, alimentos, refrigerantes, automóveis, produtos para crianças, etc. Tem sentido isso? A publicidade não causa obesidade, alcoolismo, acidentes domésticos ou de trânsito.
É a publicidade que viabiliza, do ponto de vista financeiro, a liberdade de imprensa e a difusão de cultura e entretenimento para toda a população. É a publicidade que torna possível a existência de milhares de jornais, revistas, emissoras de rádio e TV, assim como de outras expressões da mídia. As leis existentes já são suficientes para garantir ampla proteção ao consumidor, e seria demais pedir a um anunciante que proponha o desestímulo ao consumo.
São legítimos e animadores os anseios da sociedade na formação de crianças e adolescentes, na difusão de hábitos saudáveis, no estímulo ao consumo responsável e à educação ambiental. A publicidade brasileira não foge às suas responsabilidades. Por isso criou – e respeita – há trinta anos o Código Brasileiro de Auto-regulamentação Publicitária – primeira iniciativa a propor limites e impor deveres à atividade, muito antes que isso se tornasse uma preocupação da sociedade e dos poderes públicos. Praticar e divulgar a auto-regulamentação publicitária são deveres de toda a indústria da comunicação, em seu próprio benefício e no da sociedade como um todo. Liberdade, deixe as asas abertas sobre nós!

Manifesto sobre a liberdade de expressão comercial lido
no encerramento do IV Congresso Brasileiro de Publicidade.

"Tô pagano"

Lady Kate. Se não me engano, esse é o nome da personagem do Zorra Total que traz esse bordão. Tá bom, tá bom. Não vou nem dizer que alguém me contou... Eu vi no Zorra Total, admito. Pronto. Mas, voltando à Lady Kate, o que temos aí na figura tresloucada, caricata e exagerada dessa personagem nada mais é que um estereótipo de grande parte dos clientes das agências de publicidade.
Clientes que destroem conceitos, detonam layouts, maltratam idéias e pedem os maiores estapafúrdios grunhindo, ao primeiro espasmo de coragem na recusa da ordem, que "tão pagano!". É isso aí! O fato inquestionável de que são os donos da verba os faz donos da razão também. E ai daquele que resolva explicar que na agência existem profissionais capacitados para resolver os problemas de comunicação com eficiência, desde que tenham seu talento e sua competência respeitados por esse mesmo cliente.
Cliente que deveria estar ciente de que está "pagano" justamente por esse talento e por essa competência. Mas você acha que a zorra total acaba por aí? Não. Como em todo quadro desses programas, o bordão precisa ser repetido exaustivamente para que todo mundo decore. Ou seja, o quadro de humor (humor??) segue com o atendimento assustado adentrando a sala da criação e, aos primeiros rosnados do pessoal, sacando da cartola a resposta para todas as questões do mundo: "mas gente, o cliente tá pagano". Tá, tá sim. Mandou trocar a foto daquela modelo linda por uma da sobrinha que é toda fora de esquadro?
Vamos nessa... ele tá "pagano". Decidiu que ao invés de seguir o plano de mídia proposto, é melhor veicular no jornal do condomínio dele? Não vamos discutir... ele tá "pagano". Exigiu que troquem a gramatura do papel por alguma coisa mais fininha e baratinha? Sem problema... ele tá "pagano". E a gente segue "pagano" por sermos tão subservientes e "penano" em meio a tanta incompetência.

Éramos 3

Sexta-feira, 01 de Agosto, 8 da manhã. Horário ingrato, mas o tema valia: a apresentação dos temas e propostas discutidos no IV Congresso Brasileiro de Publicidade, ocorrido em São Paulo no mês passado. A Abap-Rio e o Sinapro, com apoio da ABP, tiveram uma idéia muito boa: chamaram profissionais do Rio que estiveram lá, e pediram que eles resumissem em 10 minutos suas impressões sobre os temas discutidos no Congresso. Depois os participantes discutiam, faziam perguntas, opinavam.

Durou a manhã de sexta, e dali saíram novas idéias de como aproveitar esses temas em proveito do nosso mercadinho de São Sebastião do Rio de Janeiro. Num lugar pra 140 pessoas (é, eu contei as cadeiras), havia pouco mais de 40. Ok, tá todo mundo cheio de trabalho, tem reunião marcada, mas porque desses 40 e poucos só tinha 3 de criação? E um deles, o Adilson Xavier, além de já ser muito mais do que um criativo, ainda por cima era um dos que falaram sobre os temas. Saí de lá encucado com o quorum. Será que nós, criativos, devemos ficar longe de temas como rentabilidade, impostos, ameaças à liberdade de comunicar um produto e todos os etcéteras discutidos lá? Será que nosso negócio é criar e pronto? Não concordo.

Nesses 15 anos, já vi o mercado crescer, diminuir, agências surgirem, irem pro buraco, e tudo isso tendo pouco ou nada a ver com criação. Tem a ver com o negócio da comunicação que, sim, devemos conhecer mais de perto. Até porque ele está se transformando. E, segundo o evento do dia primeiro, se transformando muito rápido. Se eu fosse você, ficaria mais ligado nisso. Não é legal ser pego por uma transformação dessas enquanto você está adaptando aquele anuncio maneiríssimo pra entrar no anuário.
PS: Sim, teve criativo daqui que foi a São Paulo. Não, eu não estava lá.
Por: Alexandre Motta - sócio da BinderFC+M e VP do CCRJ. 06/08/2008.

O que acontece com o mercado de trabalho?

O que acontece com o mercado de trabalho que não dá bola aos que realmente lutam por um "lugar ao sol"? Gostaria muito que um dia esta resposta fosse respondida com sinceridade e lucidez para tentar, enfim, aplagar minha sede crítica sobre o tema.
Pois bem, milhares de recém-formados saem todos os anos e semestres das faculdades espalhadas pelo país, colocando a cabecinha pra fora d'água, buscando um lugarzinho ao sol e... Nada!
Será que realmente não existe mais espaço para essa jovem mão-de-obra qualificada? Será que todo o esforço que, tanto pais quanto estudantes, tivemos não vai ser recompensado, afinal? Será que existe uma saída?
Ah, já sei! Vou me dedicar ao empreendedorismo e abrir meu próprio negócio! É isso! Vou ter minha própria meta, meus próprios horários e o que é melhor: não vou ter chefe!
Pois bem. Mas será mesmo esta uma saída inteligente e produtiva para o nosso mercado? Fortalecer o setor das micro e pequenas empresas, com novas e inexperientes idéias, é realmente mais vantajoso para a qualificação da população economicamente ativa da nossa sociedade?
Cada dia que passa, as grandes empresas, dotadas de estrutura e experiência mercadológica para traduzir novas idéias e conceitos lutam para descobrir novas tendências e soluções criativas para fugir do lugar comum. Aí eu te pergunto: como é que essas empresas podem renovar a massa pensante das suas linhas de frente, se não há oportunidade suficiente para a renovação destes novos postos de trabalho?
Sabe o que acontece? Vou dar minha opinião. O que acontece e vem acontecendo (e irá continuar acontecendo enquanto a mentalidade do mercado de trabalho não mudar) é a ocupação no mercado de funcionários que mais se entregam ao burocrático do que efetivamente sugerem novas idéias.
Os vícios de outrora ainda persistem nas empresas, departamentos, redações e demais setores. Os funcionários de hoje têm cada vez mais medo de perder o emprego, de mostrar seus pontos de vista, de peitar o desconhecido. É muito mais fácil e cômodo se entregar ao cotidiano do que buscar novas soluções, novos ideais e novas tendências. Isso acaba se espelhando nos chefes, no Recursos Humanos, na triagem. Na hora de selecionar novos funcionários, a opção mais comum é a de aproveitar o material humano que já existe, do que buscar alguém fresco no mercado. É muito mais fácil "amansar" o antigo rebanho do que "doutrinar" o gado novo.
É isso, o medo ao novo ainda é muito grande. E quem paga o pato é o jovem trabalhador: formado, disposto e desempregado.
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